As relíquias passaram pelo Brasil como um doce furacão. A etapa carioca se encerrou no dia 23 de maio. Foi um final de semana turbinado de bênçãos, com a presença de milhares de pessoas, sangas de todos os cantos, uma sanga só. Vieram amigos de SP, de Floripa, de Vitória... Amigos que ainda não conhecemos estiveram diante daquela manifestação incrível de compaixão dos mestres.
E para completar a festa, Lama Samten esteve conosco, a dar ensinamentos.
Maravilha das maravilhas.
Na sexta, uma palestra na Fundação Roberto Marinho, sobre Budismo e Gestão. Lama falou das 5 sabedorias, 12 elos, 6 reinos, lung, estava todo didático, citou livros, fez diversos links. Os outros dois ensinamentos aconteceram no Hospital da Lagoa. Ainda que muito gaiato e maroto – muitas vezes o Lama lembra muito SS o Dalai Lama, parece um menino, todo solto e interessado - ele tratou de manifestar a sabedoria cortante dos mestres daquele jeito leve e doce de sempre. O primeiro dos temas: viver sem medo ou inseguranças. Assunto sempre apropriado, especialmente em terras cariocas e dentro de um hospital. Pois logo de cara, ele deu o tom daquela noite, e também da seguinte: sem lucidez, sem chance, é para ter medo mesmo. Hum...
Na noite de domingo, o tema foi ainda mais fundo: conselhos sobre a morte. E naquela madrugada, uma praticante havia falecido. Lama nos contara na véspera que havia conseguido ligar para ela, pedindo à pessoa que a estava acompanhando no hospital que colocasse o celular no ouvido dela. Naquele momento, ela estava em coma induzido, depois de um processo de tratamento para leucemia. Uma mulher bonita, vigorosa. Eu a conheci na lua cheia de maio de 2008, no CEBB-CM. Estivemos nos mesmos grupos de trabalho/reflexão daquele encontro no qual o lama nos ofereceu o Programa de Facilitadores. Sentamos juntas várias vezes naqueles dias para pensar a função, maravilhas e obstáculos de ser faciltador do Darma, e preparamos juntas um material de apresentação.
Nossa querida Barbara, cheia de idéias, aspirações e energia. Como eu. Como cada um de nós.
Pelo celular, Lama foi recitando mantras e dando orientações para os bardos que se seguiriam. Ele nos conta que ouvia a respiração dela acelerando, e que por duas vezes se emocionou. Ele conta isso ainda no carro, indo para a palestra na noite de sábado. E no domingo, chega a notícia que ela havia falecido.
Fico muito tocada por tudo isso.
Diante das relíquias, milhares de pessoas se sentem profundamente tocadas.
Olho o Lama, meu amado mestre. Em algum momento ao longo desses dias, ele segura minha mão de um modo tão terno, que parece que nunca mais vou oscilar. Hum... já andei o suficiente nesse caminho para saber que não é bem assim. E sorrio.
Enfim, o ensinamento na noite de domingo é profundo. Lama comenta um texto de um grande mestre, Gyatrul Rinpoche. O tema é complexo, e habilmente ele torna tudo compreensível e leve. Ainda assim, surge um tremor aqui e ali. Somos todos tocados. Ele segue sem pressa até o final do texto, que encerra com a bonita lembrança do Buda da Compaixão.
Ouço o Lama e mais uma vez reconheço nele a manifestação viva da intenção iluminada de Guru Rinpoche, a compaixão precisa e afiada do colo de Tchenrezig.
O ensinamento se encerra lá pelas onze da noite. Rapidamente me despeço de meu mestre e volto para o Jardim Botânico, para acompanhar a desmontagem da exposição das relíquias. Antes da palestra, tive a felicidade de acompanhar as preces de dedicação, o salão lotado de voluntários e visitantes, a alegria estampada em cada face.
Depois da palestra retorno, noite clara no céu e no coração.
Um susto. Deixei um templo, com altares, relíquias e sangas. E quando chego, a aparência é a do galpão despido, a antiga marcenaria de paredes de tijolos aparentes. Tudo desfeito. É de tirar o fôlego! Sorrio, deliciada com o surgimento mágico de todas as coisas.
As relíquias se foram. Mas como o próprio Buda, elas não vieram, nem foram. Seguirão presentes em milhares de corações. Seguirão presentes no olhar compassivo e lúcido, incessantemente disponível a cada um de nós.
Mais uma vez, gratidão a todos os mestres, a toda a sanga brasileira, aos voluntários que participaram do milagre carioca e de cada milagre em cada cidade nessas terras brasileiras.
Ao Lama, aquele que conhece e aponta.
Que possamos cruzar os bardos com lucidez e bênçãos!
E para completar a festa, Lama Samten esteve conosco, a dar ensinamentos.
Maravilha das maravilhas.
Na sexta, uma palestra na Fundação Roberto Marinho, sobre Budismo e Gestão. Lama falou das 5 sabedorias, 12 elos, 6 reinos, lung, estava todo didático, citou livros, fez diversos links. Os outros dois ensinamentos aconteceram no Hospital da Lagoa. Ainda que muito gaiato e maroto – muitas vezes o Lama lembra muito SS o Dalai Lama, parece um menino, todo solto e interessado - ele tratou de manifestar a sabedoria cortante dos mestres daquele jeito leve e doce de sempre. O primeiro dos temas: viver sem medo ou inseguranças. Assunto sempre apropriado, especialmente em terras cariocas e dentro de um hospital. Pois logo de cara, ele deu o tom daquela noite, e também da seguinte: sem lucidez, sem chance, é para ter medo mesmo. Hum...
Na noite de domingo, o tema foi ainda mais fundo: conselhos sobre a morte. E naquela madrugada, uma praticante havia falecido. Lama nos contara na véspera que havia conseguido ligar para ela, pedindo à pessoa que a estava acompanhando no hospital que colocasse o celular no ouvido dela. Naquele momento, ela estava em coma induzido, depois de um processo de tratamento para leucemia. Uma mulher bonita, vigorosa. Eu a conheci na lua cheia de maio de 2008, no CEBB-CM. Estivemos nos mesmos grupos de trabalho/reflexão daquele encontro no qual o lama nos ofereceu o Programa de Facilitadores. Sentamos juntas várias vezes naqueles dias para pensar a função, maravilhas e obstáculos de ser faciltador do Darma, e preparamos juntas um material de apresentação.
Nossa querida Barbara, cheia de idéias, aspirações e energia. Como eu. Como cada um de nós.
Pelo celular, Lama foi recitando mantras e dando orientações para os bardos que se seguiriam. Ele nos conta que ouvia a respiração dela acelerando, e que por duas vezes se emocionou. Ele conta isso ainda no carro, indo para a palestra na noite de sábado. E no domingo, chega a notícia que ela havia falecido.
Fico muito tocada por tudo isso.
Diante das relíquias, milhares de pessoas se sentem profundamente tocadas.
Olho o Lama, meu amado mestre. Em algum momento ao longo desses dias, ele segura minha mão de um modo tão terno, que parece que nunca mais vou oscilar. Hum... já andei o suficiente nesse caminho para saber que não é bem assim. E sorrio.
Enfim, o ensinamento na noite de domingo é profundo. Lama comenta um texto de um grande mestre, Gyatrul Rinpoche. O tema é complexo, e habilmente ele torna tudo compreensível e leve. Ainda assim, surge um tremor aqui e ali. Somos todos tocados. Ele segue sem pressa até o final do texto, que encerra com a bonita lembrança do Buda da Compaixão.
Ouço o Lama e mais uma vez reconheço nele a manifestação viva da intenção iluminada de Guru Rinpoche, a compaixão precisa e afiada do colo de Tchenrezig.
O ensinamento se encerra lá pelas onze da noite. Rapidamente me despeço de meu mestre e volto para o Jardim Botânico, para acompanhar a desmontagem da exposição das relíquias. Antes da palestra, tive a felicidade de acompanhar as preces de dedicação, o salão lotado de voluntários e visitantes, a alegria estampada em cada face.
Depois da palestra retorno, noite clara no céu e no coração.
Um susto. Deixei um templo, com altares, relíquias e sangas. E quando chego, a aparência é a do galpão despido, a antiga marcenaria de paredes de tijolos aparentes. Tudo desfeito. É de tirar o fôlego! Sorrio, deliciada com o surgimento mágico de todas as coisas.
As relíquias se foram. Mas como o próprio Buda, elas não vieram, nem foram. Seguirão presentes em milhares de corações. Seguirão presentes no olhar compassivo e lúcido, incessantemente disponível a cada um de nós.
Mais uma vez, gratidão a todos os mestres, a toda a sanga brasileira, aos voluntários que participaram do milagre carioca e de cada milagre em cada cidade nessas terras brasileiras.
Ao Lama, aquele que conhece e aponta.
Que possamos cruzar os bardos com lucidez e bênçãos!
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