Retiro em Petrópolis

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Céu zul, montanhas soberanas, as sangas do Lama reunidas em Araras, Petrópolis, RJ. Uma única sanga. Um final de semana mágico.

Uma contagem de olho apontava umas 130 pessoas. A alegria de sempre tomando cada coração, uma festa estarmos todos juntos. Veio gente de BH, de SP, do Rio, de Niterói, de Petrópolis, de Macaé. Lama foi conduzindo o grupo com sua presença iluminada, tudo clareando.

Lama nos ofereceu ensinamentos detalhados sobre as 6 etapas iniciais da meditação descritas no roteiro de 21 itens. Falou de motivação, shamatas, metta bhavana, prajnaparamita e presença.


Como sempre, ele começa apresentando o ponto último, o ponto que já é nossa condição natural. Liberdade, luminosidade, lucidez. E mesmo ao descrever as etapas do caminho da meditação, ele segue apontando a natureza livre que a tudo sustenta, que a tudo acolhe e produz.

“Abra os olhos e veja”... Diante da fala iluminada do Lama, abrimos olhos, ouvidos, coração... e vemos! Quase simples.

Além da beleza dos ensinamentos, do perfume natural do ar das montanhas, daquele céu estrelado, o convívio em sanga abre espaços. Vou ouvindo as conversas aqui e ali, todos com aquela sensação intrigante de “fichas caindo”. Sorrisos para todos os lados, um movimento de energia mais leve que em outros retiros. A sanga amadurece. Bonito de ver. Bonito de viver.

Teve gente que chegou agora na sanga e já estava lá.
Teve gente que faz tempo não vai na sanga e estava lá também.
Gente de todo jeito, todos inspirados a praticar, a transformar suas vidas, a reconhecer o aspecto mágico dos mundos.

Uma festa, como sempre.

Abertura. Proximidade.
Profunda gratidão.

E leveza! Ao final, depois de um longo caminho, de tantas etapas, tantas aventuras e desventuras, vamos finalmente relaxar. Vamos encontrar aquilo que sempre esteve presente. Reconhecer o aspecto onírico de todas as experiências. Andar pelos mundos, sem negar coisa alguma, e sem sermos arrastados. Puro êxtase!

Na manhã de domingo, ainda rolou a cerejinha no bolo que já estava pra lá de gostoso: fizemos uma roda na varanda, aproveitando o sol para renovar nossos votos e ampliar nossos contatos. A princípio seria uma reunião da turminha que anda pelo Programa de Facilitadores com o apoio da Tetê. Havia também convidados especiais, Denise, Fernando e Eliane. Reunião de “tuts”, apelido carinhoso que damos aos tutores, tutorados, aspirantes... a roda ia aumentando, o pessoal passava por ali, via aquele monte de sorrisos e já ia se chegando, se apresentando...

As alianças se estabelecem, de modo natural.

Seguimos todos juntos. Simples assim.

Dharma yatri: uma viagem externa, interna e secreta

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Um pouco antes de iniciar a leitura do Prajnaparamita na sexta feira da paixão, relembro a semana que tivemos em sanga. E mais uma vez me derramo em gratidão. Que tempos vivemos! Tanta riqueza, tanta vida... a cada encontro da sanga, mundos surgem e nos convidam a surgir.

A semana começou com a visita da Mel compartilhando suas experiências na peregrinaçao à India em janeiro. Foi de arrepiar! O aspecto externo dessa viagem por si só já é estonteante. Visitar um país tão distante e diverso é muito desafiador. E fazer isso mergulhado na prática...Ela assim descreve o sentimento: vertigem.

Mel nos conta algumas dificuldades e preciosidades, mostra fotos, traz um pouco dos muitos ensinamentos que presenciou. Templos, ruas, rostos, mestres. Um grupo de 26 brasileiros, nem todos budistas, mas todos sacudidos pelas diferenças e encontros. A condução segura e carinhosa dos nossos queridos monge Gabriel e Gui Samel.

Para os budistas, visitar os lugares sagrados do Buda é muito mais do que uma aventura em um país exótico. A nossa maior aventura muitas vezes é visitar a nós mesmos. O caminho da meditação é sem dúvida a mais inquietante e maravilhosa peregrinação.

E o que chama atenção é aquilo que poderíamos descrever como o aspecto interno: o brilho nos olhos da Mel. O brilho em nossos olhos diante de toda aquela rica experência. Aos poucos somos transportados e revivemos nas palavras dela as dificuldades que surgem pelas nossas tentativas absurdas em controlar tudo. O tempo do relógio, as pessoas, nossas aflições.

E quando ela nos fala do contato profundo que teve com a devoção dos tibetanos diante da presença do Dalai Lama e sua própria experiência ao cruzar os olhos com os olhos dele...ficamos todos em silêncio, comovidos diante da vida que surge naquele relato.

Ao final do encontro, foto de Guru Rinpoche na tela do computador, a chuva cai forte. Cada um vai para um lado, mas algo segue. A chuva aumenta, as ruas em Niteróii alagam, a luz cai em vários pontos. Aos poucos vamos telefonando para saber se todos chegaram bem, se estão secos...

Fica um gostinho de quero mais. Mel já foi convidada a voltar.

O aspecto secreto dessa viagem segue operando em todos nós, de modo sutil e misterioso.

Amanhã eu conto mais...