Impermanência

1 comentários
Impermanência. Esse foi o tema de ontem na sanga. Muitas vezes parece ser o tema de nossas vidas. Impermanência como fonte de sofrimento? Ou será que já reconhecemos na impermanência um indicativo claro da tal liberdade natural que os mestres e grandes meditantes nos apontam?

Plasticidade total nas construções incessantes.
Como lidar com esse potencial aparentemente infinito?

Geralmente nos reconhecemos naquilo que é construído. Raro que nos reconheçamos como construtores de tudo aquilo que nos surge. Ainda mais raro nos reconhecermos como a própria base livre a partir da qual tudo é construído.

Mas de algum modo, ao longo desse caminho, vislumbres nos surgem, aqui e ali.
A prática da meditação, as reflexões a partir dos textos, as rodas de conversa, a energia que surge na sanga, a presença dos mestres... tudo isso parece compor um cenário que provoca essa compreensão de um modo quase natural.

Essa tem sido a experiência de alguns praticantes. Aos poucos vamos nos familiarizando com tudo isso. Ampliamos o contato com nossa própria vida, mente corpo, energia e paisagem, com as pessoas à nossa volta, com o mundo de aparentes desconhecidos que habitam essa bonita casa que chamamos de planeta terra.

Lucidez. Sofrimento. Contato. Compaixão.
Incompreeensão. Humildade. Sabedoria. Incertezas.

Tudo segue dançando. Tudo segue vivo.
Incessante. Impermanente.

o Poeta

1 comentários
Queridos, seguindo essa vida de sincronicidades, manifestação clara da rede invisível - e ao mesmo tempo tão palpável - de interconexões para todos os lados, nos últimos dias, Fernando Pessoa foi citado umas 5 vezes, nas sangas de niterói e petrópolis. Lembrança sempre saborosa.

Na sanga da serra, surgiu a seguinte preciosidade.


"A espantosa realidade das cousas
É a minha descoberta de todos os dias.
Cada cousa é o que é,
E é difícil explicar a alguém o quanto isso me alegra
E quanto isso me basta.

Basta existir para se ser completo."

(Alberto Caeiro; Poemas Inconjuntos; 1913-1915;
O Eu profundo e os outros Eus; Editora Nova Fronteira.)

Cultura de Paz nas quintas

1 comentários
Há 3 semanas, iniciamos um grupo de estudos de Cultura de Paz. Estamos lendo “Uma Ética para o Novo Milênio”, de SS Dalai Lama. Um excelente e saboroso roteiro para nossas reflexões.

Ontem, nosso encontro foi bem bacana. A partir da visão de SS Dalai Lama apresentada no início do segundo capítulo, conversamos sobre a relevância da diversidade de religiões, que surge como uma resposta à condição humana de busca de sentido e felicidade, e falamos um pouco dessa riqueza do Budismo, que oferece muitas vias de acesso. Podemos nos aproximar por devoção, pela riqueza e profundidade filosófica e mais um monte de “jeitos”. Somos todos diferentes em sensibilidades e inclinações, ao mesmo tempo que somos todos movidos pela tal pergunta: “como ser feliz?”

A partir dessa noção das diferentes inclinações, caminhamos para a noção de rede, essa rede que nem reconhecemos e que nos sustenta em diversos níveis, seja em aspectos materiais (pessoas cuidando da manutenção da rede elétrica, do preparo e distribuição dos nossos alimentos, etc), emocionais, e, principalmente, aspectos ligados ao sentido da vida.

Falamos do que reconhecemos como necessidades para nosso sustento nesses diversos aspectos e fomos dando uma pincelada sobre a solidez que emprestamos àquilo que parece necessário para nossas vidas, e do estranhamento que nos surge diante da dissolução de alguns aspectos dessa rede que parece nos sustentar...

Fomos abrindo vários olhares, e a coisa já estava muito boa! Daí chegou Antonio, querido amigo da sanga, sempre conosco nas outras atividades, mas primeira vez nesse grupo. Chegou já meio pelo “final da conversa”. Ouviu um tantinho... e derramou sua experiência de vida, contemplando todos os aspectos que haviam surgido. Se tivesse combinado um roteiro, não teria sido tão bom! Um show de sincronicidade.

Ele trouxe suas experiências na busca de sentido, suas sensibilidades diante da dimensão do mistério. Falamos sobre a vida. Vida que não busca explicações, mas sentido. Vida que busca vida.

E nos reconhecemos naquela fala. Não porque tenhamos passado por tudo aquilo. Isso nem importa. Reconhecemos ali nossas infinitas possibilidades e oportunidades de nascer. De morrer e renascer. A cada segundo.

Uma noite bonita. Mais uma noite bonita em sanga. No mundo.

Carinho e gratidão,
Teresa

Puxando conversa

1 comentários
Queridos amigos, estamos abrindo mais um espaço da sanga. Sempre uma experiência única sentarmos em roda para meditar, refletir sobre a vida, trocar idéias, aspirações elevadas e também obstáculos, tristezas... Essa roda se amplia. A noção de sanga se amplia. Somos muito mais que um grupo de praticantes budistas ou simpatizantes. Somos um grupo que caminha junto.

A idéia do blog é manter nossas conversinhas azeitadas, dar continuidade aos temas, deixar registros, impressões, etc. É isso! Todos bem vindos!

carinho,
Teresa