Impermanência

Impermanência. Esse foi o tema de ontem na sanga. Muitas vezes parece ser o tema de nossas vidas. Impermanência como fonte de sofrimento? Ou será que já reconhecemos na impermanência um indicativo claro da tal liberdade natural que os mestres e grandes meditantes nos apontam?

Plasticidade total nas construções incessantes.
Como lidar com esse potencial aparentemente infinito?

Geralmente nos reconhecemos naquilo que é construído. Raro que nos reconheçamos como construtores de tudo aquilo que nos surge. Ainda mais raro nos reconhecermos como a própria base livre a partir da qual tudo é construído.

Mas de algum modo, ao longo desse caminho, vislumbres nos surgem, aqui e ali.
A prática da meditação, as reflexões a partir dos textos, as rodas de conversa, a energia que surge na sanga, a presença dos mestres... tudo isso parece compor um cenário que provoca essa compreensão de um modo quase natural.

Essa tem sido a experiência de alguns praticantes. Aos poucos vamos nos familiarizando com tudo isso. Ampliamos o contato com nossa própria vida, mente corpo, energia e paisagem, com as pessoas à nossa volta, com o mundo de aparentes desconhecidos que habitam essa bonita casa que chamamos de planeta terra.

Lucidez. Sofrimento. Contato. Compaixão.
Incompreeensão. Humildade. Sabedoria. Incertezas.

Tudo segue dançando. Tudo segue vivo.
Incessante. Impermanente.

1 Response to "Impermanência"

  1. Unknown Says:

    Obrigado por partilhar conosco sua visão.
    Leio e releio. Seu texto flui de forma suave, simples e concisa, motivando-me a trazer uma visão, se me permitem dizer: "cotidiana" da impermanência.

    Sobre a milenar impermanência
    (ou melhor seria, Sobre a milenar impermanência desde sempre)

    O fato é que vocês não imaginam a minha surpresa por não ter notado algo tão óbvio, que sempre esteve ali, o tempo todo na minha frente, na sua frente. Quanto a mim nem me dei conta, precisou o budismo me apontar! Lá estava a impermanência.

    É incrível passamos a vida inteira tentando colocar em ordem ou controlar tudo ou quase tudo, buscando uma estabilidade aqui e ali, paz, uma segurança, uma proteção para o inesperado, para o imprevisto e por aí vai...

    É comum traçarmos um plano e colocá-lo em ação, por fim, plano cumprido — tudo correu como o planejado. Pouco tempo depois uma nova ordem se instala e o plano idealizado se desfaz, demandando nova ação. Entretanto, não desistimos, novo empreendimento se faz necessário e lá vamos nós, novamente passado algum tempo, nova frustração.

    Na verdade se tivesse parado para meditar um pouco, talvez nem me assustasse tanto com a minha falta de percepção.

    Na verdade fiquei surpreso com isso, a minha falta de percepção! Nem estando envolvido na roda da vida observei este aspecto, que nosso sistema social havia desenvolvido recursos para nos dar a "paz e tranquilidade necessária", frente a tal da impermanência, criaram: a poupança, o seguro do carro, da casa, de vida, seguro desemprego, previdência privada, plano de saúde, enfim...

    Por outro lado, se temos a impermanência como certa, temos em nossas mãos um universo de possibilidades que vão além daquelas que traçamos ou planejamos. Considerando isso e tendo como meta ações que gerem benefícios aos envolvidos e a cadeia social, partimos para o planejamento.

    Assim, sabendo que tudo é transitório, evitamos jogar um peso demasiado e uma expectativa excessiva no fim, em detrimento da devida atenção aos meios e ao caminho.

    Quando houve empenho e zêlo uma realização e ainda assim algo dá "errado", cabe aqui um novo olhar, quem sabe não recebemos uma benção, quem sabe não é uma oportunidade para reflexão!

    Além da impermanência, que nos possibilita constatar que "todas as formações são passageiras" e o encadeamento de fenômenos, vale a pena meditar sobre mais duas das Três Características, que são: "todas as formações são sujeitas a dor" e "todas as formações são sem substância real (sem personalidade em si, sem "ego")".

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