Dharma yatri: uma viagem externa, interna e secreta

Um pouco antes de iniciar a leitura do Prajnaparamita na sexta feira da paixão, relembro a semana que tivemos em sanga. E mais uma vez me derramo em gratidão. Que tempos vivemos! Tanta riqueza, tanta vida... a cada encontro da sanga, mundos surgem e nos convidam a surgir.

A semana começou com a visita da Mel compartilhando suas experiências na peregrinaçao à India em janeiro. Foi de arrepiar! O aspecto externo dessa viagem por si só já é estonteante. Visitar um país tão distante e diverso é muito desafiador. E fazer isso mergulhado na prática...Ela assim descreve o sentimento: vertigem.

Mel nos conta algumas dificuldades e preciosidades, mostra fotos, traz um pouco dos muitos ensinamentos que presenciou. Templos, ruas, rostos, mestres. Um grupo de 26 brasileiros, nem todos budistas, mas todos sacudidos pelas diferenças e encontros. A condução segura e carinhosa dos nossos queridos monge Gabriel e Gui Samel.

Para os budistas, visitar os lugares sagrados do Buda é muito mais do que uma aventura em um país exótico. A nossa maior aventura muitas vezes é visitar a nós mesmos. O caminho da meditação é sem dúvida a mais inquietante e maravilhosa peregrinação.

E o que chama atenção é aquilo que poderíamos descrever como o aspecto interno: o brilho nos olhos da Mel. O brilho em nossos olhos diante de toda aquela rica experência. Aos poucos somos transportados e revivemos nas palavras dela as dificuldades que surgem pelas nossas tentativas absurdas em controlar tudo. O tempo do relógio, as pessoas, nossas aflições.

E quando ela nos fala do contato profundo que teve com a devoção dos tibetanos diante da presença do Dalai Lama e sua própria experiência ao cruzar os olhos com os olhos dele...ficamos todos em silêncio, comovidos diante da vida que surge naquele relato.

Ao final do encontro, foto de Guru Rinpoche na tela do computador, a chuva cai forte. Cada um vai para um lado, mas algo segue. A chuva aumenta, as ruas em Niteróii alagam, a luz cai em vários pontos. Aos poucos vamos telefonando para saber se todos chegaram bem, se estão secos...

Fica um gostinho de quero mais. Mel já foi convidada a voltar.

O aspecto secreto dessa viagem segue operando em todos nós, de modo sutil e misterioso.

Amanhã eu conto mais...

1 Response to "Dharma yatri: uma viagem externa, interna e secreta"

  1. Unknown Says:

    Querida Teresa e shanga, que vontade de estar aí com vocês compartilhando esse momento.
    Esta breve, instigante e cuidadosa sinopse, conseguiu passar um pouco do clima desta viagem secreta - que cada um dos integrantes devem ter vivido.
    Que bom podermos contar com mais este espaço para estamos juntos.
    Que todos optem pela via do Dharma, sds a todos,
    Augustus

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